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C6 Conta Global: duas coisas que ninguém mais faz

O C6 é a única conta internacional que cobra para abrir: US$ 10 por moeda. Também é a única que publica o spread em tabela — 0,90% a 0,75%. Duas raridades, uma boa e uma ruim.

Antes de desistir pelos US$ 10, veja o que ele mostra que os outros escondem. ↓

  • 2 moedasguarda saldo em várias moedas, sem conversão dupla
  • US$ 10 para abrirpessoa física, por conta; dólar e euro são contas separadas
  • Sem seguro no saldoveja onde fica o dinheiro
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Única que mostra a margem em tabela, de 0,90% a 0,75% Cobra US$ 10 para abrir, e só tem dólar e euro

Revisão técnica: Vitor Melo

Conteúdo revisado em

O C6 tem duas particularidades que nenhuma outra conta internacional tem. Uma é ruim: cobra US$ 10 para abrir. A outra é boa, e é rara de verdade: publica o spread em tabela, com o número exato por faixa de valor.

A maioria das pessoas só vê a primeira. Chega na página, lê "taxa de abertura", fecha e vai para a concorrente que anuncia "grátis". Só que a concorrente grátis embute uma margem que você nunca vai descobrir, e o C6 mostra a dele.

Essa é a página para quem quer saber o que está pagando antes de pagar — e para quem quer os US$ 10 de volta, o que é possível de três formas.

Quanto custa abrir a C6 Conta Global?

A abertura custa US$ 10 para pessoa física, cobrados no momento da contratação, conforme a central de ajuda do C6. Como dólar e euro são contas separadas, abrir as duas custa o dobro.

É o único caso entre as principais em que existe custo de abertura. Revolut e Wise não cobram; no Nubank o custo não é a conta, é o Ultravioleta, que dá acesso a ela.

A taxa é zerada em três situações, conforme as condições publicadas pelo próprio banco:

  • Ser titular de cartão C6 Carbon, C6 Black ou C6 Graphene
  • Investir a partir de R$ 20 mil em CDBs pelo aplicativo
  • Realizar uma operação de câmbio de pelo menos US$ 100 ou € 100 até o último dia do mês seguinte à abertura

A terceira é a mais acessível: se você abriu a conta para usar, provavelmente vai converter mais de US$ 100 de qualquer forma. Atenção ao mecanismo: nesse caso a taxa é cobrada e depois estornada, em até 15 dias — não é isenção na contratação.

O cálculo que importa: se você pretende usar a conta, os US$ 10 voltam. Se abriu por curiosidade e não converteu nada até o prazo, virou custo afundado — e são US$ 20 se abriu dólar e euro.

O mecanismo do estorno merece atenção porque assusta: você vê o débito de US$ 10 na hora, e o crédito só aparece em até 15 dias depois da conversão. Quem não sabe disso acha que foi cobrado à toa e abre reclamação.

O IOF de 1,1% que citam sobre a C6 está errado

Boa parte do material sobre a C6 Conta Global, inclusive respostas geradas por buscadores, afirma que ela tem "IOF reduzido de 1,1%" contra "6,38% do cartão de crédito comum".

Os dois números estão desatualizados.

O 1,1% era a alíquota para transferência à conta própria no exterior até maio de 2025, quando os decretos daquele ano elevaram para 3,5%.

O 6,38% deixou de valer antes disso: o Decreto 10.997/2022 determinou redução escalonada da alíquota do cartão internacional, que chegou a 3,38% em janeiro de 2025 e depois foi unificada em 3,5%.

Hoje as duas operações pagam a mesma coisa: 3,5%. A vantagem de uma conta global sobre o cartão de crédito deixou de ser tributária e passou a ser de câmbio — você escolhe quando converter, em vez de aceitar a cotação do dia da fatura.

Isso não é erro do C6 especificamente. É material publicado antes da mudança que continua acessível sem indicação de que envelheceu. A explicação completa está no hub de contas internacionais.

Qual o spread da C6 Conta Global?

O C6 publica a margem em tabela na página da Conta Global, escalonada por valor:

Valor da operação Spread
Entre 20 e 999,99 0,90%
Entre 1.000 e 4.999,99 0,85%
A partir de 5.000 0,75%
Retorno para real 0,90%

Quanto maior a operação, menor a margem. Na conversão entre euro e dólar dentro da própria conta, o spread é de 0,90% e não há IOF, porque não há saída de reais.

Isso é raro, e vale entender por quê. Entre as contas que comparamos, o C6 é o único que publica a margem em número. Veja como os outros informam:

Instituição Como declara o spread
C6 tabela por faixa: 0,90%, 0,85%, 0,75%
Inter "até 0,99%", conforme relacionamento
Nubank "spread zero" para Ultravioleta
Revolut não informa margem, só tarifa acima do limite
Nomad não informa em página aberta

Na prática, com números. Você vai converter R$ 5.000 para dólar. No C6, você sabe antes: o spread é 0,75% para valores a partir de 5.000, ou seja, R$ 37,50 de margem. No Inter, é "até 0,99%", que pode ser R$ 49,50 ou pode ser menos — você só descobre no app. Na Revolut, o spread não é informado; você vê o resultado na tela de confirmação.

Publicar o número não torna o C6 mais barato automaticamente. Torna possível conferir — e conferir é o que separa uma comparação de um chute.

Sobre o spread incide o IOF de 3,5% no envio e 0,38% no retorno para real.

Um número que costuma ser confundido com o spread: o cartão de débito tem 2% de spread adicional para compras em moedas que não sejam dólar ou euro, já que o valor precisa ser convertido a partir do saldo da conta. Isso não é o spread da conversão, é uma cobrança separada, e só se aplica fora das duas moedas.

Quanto custa sacar com a C6 Conta Global?

Saque grátis na rede Chase, nos Estados Unidos, com mais de 15 mil caixas. Em qualquer outro caixa da rede Cirrus, US$ 5 ou € 5 por saque.

O motivo da gratuidade na Chase não é generosidade: o C6 se apresenta como "uma sociedade com JPMorgan Chase", e a rede de caixas é do mesmo grupo. É a vantagem de ter um sócio americano, e ela só vale nos Estados Unidos.

Para viagem aos EUA, é vantagem concreta — nenhuma outra conta brasileira tem saque gratuito numa rede daquele tamanho lá. Para Europa e demais destinos, cada saque custa 5, e o custo encarece rápido em retiradas pequenas.

O que fazer fora dos EUA: sacar valores maiores e menos vezes. Cinco saques de 100 custam 25; um saque de 500 custa 5.

Compra com o cartão de débito não tem tarifa.

Quais moedas a C6 Conta Global aceita?

Apenas dólar americano e euro, cada um em conta separada. É possível converter diretamente entre as duas dentro da conta, sem passar pelo real.

É menos que as alternativas: o Nubank trabalha com mais de 40 moedas e a Revolut é multimoeda. Para roteiro que passa por país fora da zona do euro — Reino Unido, Suíça, República Tcheca —, isso significa converter duas vezes ou usar outra solução.

Se o seu destino é Estados Unidos ou zona do euro, a limitação não pesa.

O dinheiro na C6 Conta Global tem FGC?

O C6 Bank é banco múltiplo autorizado pelo Banco Central, o que o diferencia de instituições de pagamento e sociedades de crédito direto.

Para o saldo em real, a cobertura do FGC segue a regra geral: depósito à vista, poupança e depósito a prazo são cobertos até o limite por CPF e instituição.

Para o saldo em moeda estrangeira, a resposta depende de como a conta está estruturada, e isso não está detalhado nas páginas públicas. Se a garantia importa para você, pergunte ao banco antes de manter saldo alto — a mesma cautela vale para qualquer conta internacional.

A C6 Conta Global tem mensalidade?

Não. O custo é o de abertura, cobrado uma vez por conta, e a conta não tem taxa de manutenção mensal.

O que continua existindo é o custo de cada conversão: a margem sobre a cotação mais o IOF de 3,5%.

Para quem a C6 Conta Global vale a pena?

Vale para quem já é cliente do C6, viaja para os Estados Unidos ou Europa, e quer a conta dentro do app que já usa. A ausência de mensalidade e o cartão de débito internacional sem custo de emissão são vantagens reais.

Vale menos para quem viaja a destinos fora do dólar e do euro, e para quem não pretende converter nada nos primeiros meses — nesse caso os US$ 10 não se recuperam.

Sobre comparar com as outras: o número que importa não é a taxa anunciada, e sim quantos dólares chegam à conta por um valor fixo em reais, com tudo incluído. Isso depende da cotação usada na conversão, que não está publicada de forma comparável.

Perguntas frequentes

A C6 Conta Global é gratuita?

Não tem mensalidade, mas cobra US$ 10 de abertura por conta para pessoa física. A taxa é zerada para clientes Carbon ou Black, para quem investe a partir de R$ 20 mil em CDBs pelo app, ou para quem faz uma operação de câmbio de ao menos US$ 100 ou € 100 até o último dia do mês seguinte.

Qual o IOF da C6 Conta Global?

3,5% no envio de remessa e 0,38% no retorno para real, conforme o Decreto 12.499/2025. A alíquota de 1,1% que aparece em muitos textos era válida até maio de 2025 e não vale mais.

Quais moedas o C6 aceita na Conta Global?

Dólar americano e euro, cada um em conta separada, com taxa de abertura cobrada por conta.

A C6 Conta Global tem cartão?

Sim, um cartão de débito internacional Mastercard vinculado à conta. A emissão está incluída na taxa de abertura.

C6 Conta Global ou Wise: qual escolher?

Depende do destino e do uso. O C6 trabalha só com dólar e euro e cobra abertura; a Wise atende dezenas de moedas sem custo de entrada. Para viagem aos Estados Unidos ou à zona do euro, a diferença fica no custo efetivo de cada conversão.

Posso usar o cartão do C6 no exterior?

Sim, o cartão de débito da Conta Global funciona para compras e saques no exterior, debitando do saldo em moeda estrangeira.


A leitura do Vitor

O C6 é a conta que mais respeita quem lê a página de tarifas. A tabela de spread publicada é o tipo de coisa que eu queria ver em todas — e o fato de ser a única a fazer isso diz mais sobre as outras do que sobre o C6.

A taxa de abertura incomoda mais pelo susto que pelo valor. US$ 10 que voltam em 15 dias depois de uma conversão de US$ 100 não são custo, são fricção. Mas fricção afasta gente, e o C6 perde cliente por causa disso.

Para quem vai aos Estados Unidos, é provavelmente a melhor combinação disponível: spread publicado, saque grátis na Chase, sem mensalidade. Para Europa, a conta em euro resolve, mas o saque a 5 cada pesa. Para qualquer outro destino, não serve — só existem dólar e euro, e não há como contornar isso.

O erro que eu evitaria: abrir por curiosidade sem converter. Os US$ 10 viram custo afundado, e a conta fica lá sem uso.

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